Grupo de Jovens Ágape

devoltaaoprimeiroamor@gmail.com, Uberlândia MG, Brazil
Para o Grupo de Jovens Ágape aprender a viver uma vida em comunidade à luz dos valores cristãos, constituindo a unidade e comunhão entre o grupo é o nosso maior propósito...afinal somos mais que participantes do mesmo grupo ou simplesmente amigos... o nosso valor principal é fazer parte de uma família...a família Ágape.

quarta-feira, 23 de março de 2011

A arte de amar - Movimento dos Focolares

Com a graça de Deus tivemos a oportunidade de recebermos em nosso grupo os integrantes do Movimento dos Focolares. Foi um encontro muito rico, no qual pudemos conhecer um pouco da espiritualidade e dos trabalhos desenvolvidos por este movimento.

O movimento é mundial, reconhecido pelo Vaticano e está organizado em nível diocesano. Foi criado por Chiara Lubich e o centro de toda a espiritualidade está na arte de amar e nos pontos explicados abaixo.

Como vocês sabem Jesus é o nosso modelo. Nele, todos os homens podem espelhar-se. Todos podemos e devemos tornar-se um especialista no amor. Ele, mais do que qualquer um soube amar e nisto consiste toda lei cristã: o Amor. Mas será que nós, imitando Jesus saberemos como amar?

Amar é uma arte: O artista é uma pessoa que com seu pincel cria algo original, como um quadro que exprime beleza e harmonia. Todos nós queremos ser como Jesus, que é o artista do amor, porque ele nos ensinou a amar. A sua arte tem algumas características. Se aprendermos e colocarmos em prática nos tornaremos como Jesus.

O 1º ponto que vamos aprender é este: “DEVEMOS AMAR A TODOS

Isto significa que devemos amar sem excluir ninguém. Devemos amar quem é simpático e quem é antipático, quem é bonito e quem é feio, as pessoas de todas as raças, culturas e religiões. Significa amar como eu gostaria de ser amada.

Chiara Lubich nos dá um exemplo: “Vocês quando voltarem para casa dirão: a minha mãe eu a amo, o meu irmãozinho eu o amo, o meu pai eu o amo, mas a minha tia não. Isto não é amor. Ou então quando voltarem para a escola dirão: a minha professora eu a amo, aquele meu amigo também, mas aquele amigo lá é antipático. Isto não é amor verdadeiro. Assim não nos tornamos Jesus. É preciso amar a todos. Temos que nos superar. Foi isso que fizemos quando éramos jovens e começamos a viver o Ideal”.

O 2º ponto é: SER OS PRIMEIRO A AMAR”.

Jesus veio a terra por amor e não ficou esperando que nós o amássemos, mas Ele nos amou por primeiro, dando a sua vida por nós. Isto significa que não podemos esperar nada em troca daquilo que fazemos. Então para isso devemos vencer a preguiça e tomar a iniciativa de amar.

O 3º ponto é este: “FAZER-SE UM COM O OUTRO”.

Jesus nos ensinou como “fazer-se um”. Ele era Deus e se fez homem por amor. Assim também nós precisamos esquecer de nós mesmos e viver pelos outros, nos interessarmos pelos outros, escutá-los e compartilhar suas preocupações, sofrimentos e alegrias.Por exemplo, se alguém sofre, saber sofrer com ele; se alguém se alegra, saber alegrar-se com ele. É preciso sofrer com o irmão, viver o que ele vive. Portanto, “fazer-se um” com o irmão.

O 4º ponto: “AMAR O INIMIGO”.

Amar o inimigo é uma revolução típica do nosso cristianismo.

O 5º ponto é: “AMAR-SE RICIPROCAMENTE”.

Aqui o importante é lembrar que Jesus quer que o amor se torne recíproco. Ele quer que eu ame o outro e o outro me ame. O amor deve ser recíproco. Não podemos descansar e parar de amar só porque o outro ainda não me ama. Nós, por amor a Jesus, continuamos a amar e um dia ele será recíproco. Jesus disse: Amai-vos uns aos outros assim como eu vos amei”. É isso que ele pede para nós.

O é este: “VER JESUS EM TODOS”.

Devemos amar todos aqueles que encontramos durante o dia. Amar portanto a Jesus em cada pessoa. Devemos ver Jesus em todos. É preciso amar também quem não é da nossa família, amar as pessoas idosas, amar Jesus também no mendigo. Nós devemos amar também as pessoas que são antipáticas ou aquelas violentas. Nós devemos amar o outro como a nós mesmos. Isto significa que se alguém tem fome, sou eu que tenho fome; se alguém tem sede, sou eu que tenho sede. É importante recordar-se que em cada pessoa que encontramos está Jesus. É preciso sempre ver Jesus, porque qualquer coisa que nós fazemos aos outros Ele nos dirá: “ A mim o fizeste”.

Então se nós vivermos esses 6 pontos um de cada vez, aprenderemos a Arte de Amar. Vivamos sempre a Arte de amar. Façamos muitas experiências. Vale a pena! Para maiores informações sobre o Movimento dos Focolares acesse: http://focolares.org.pt

Isabela Almeida e Virginia Castro

Grupo de Jovens Ágape

De volta ao primeiro amor

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Tempo, tempo, tempo

Quanto tempo eu vou gastar para ler este post? Quanto tempo me dedico ao meu cônjuge, aos meus pais, aos meus amigos, aos meus clientes, afilhados, sobrinhos e primos?

O tempo com a definição que conhecemos atualmente era definido na antiguidade por duas palavras distintas: Khronos e Kairós.

Kronos é o tempo cronológico ou seqüencial. Possui natureza quantitativa e pode ser considerado como o tempo dos homens. É medido em horas e prioriza horários, atrasos, prazos, duração de eventos. É o tempo controlado pelo relógio de pulso.

Kairós é o tempo existencial. Possui forma qualitativa e pode ser considerado como o tempo de Deus. Não pode ser medido e sim vivido. Aqui listamos os momentos marcantes, duradouros e inesquecíveis. É o encontro pessoal com Deus. É o tempo controlado pelo relógio do coração.

Com esta definição pode-se observar que o tempo possui duas dimensões: a dos homens e a de Deus, as quais são distintas. Assim vemos em 2 Pedro 3: 8 a passagem que nos fala que um dia é como mil anos e mil anos são como um dia só. Isto mostra que a dimensão de tempo humano é diferente da dimensão divina.

A passagem de Eclesiastes 3 nos mostra que há um tempo para tudo debaixo dos céus e que este tempo não é dentro dos nossos padrões humanos que mede o passar das situações em dias, horas, calendários. O tempo de Deus é Kairós é diferente da nossa visão mundana. Tudo acontece dentro do tempo previsto por Deus...as situações que te buscam ocorrem no momento exato previsto por Deus.

Às vezes nos angustiamos e reclamamos que nada em nossa vida acontece, mas tudo está indo da forma como Deus projetou...nós que somos limitados e não conseguimos entender e ter a paciência necessária para sofrer as demoras de Cristo.

E o que estamos fazendo com o nosso tempo? Trabalhando, acumulando bens materiais e tendo menos tempo para conversar, sair com os amigos, ver os filhos crescerem. Como está a nossa qualidade de vida? Estamos dando mais valor às coisas ou às pessoas?

Deixamos muitas vezes o tempo passar e acreditamos que só seremos felizes nos grandes acontecimentos como passar no vestibular, casar ou quando nossos filhos nascerem. Entretanto, a vida é breve, a vida é passageira e a única coisa que fica são marcas de amor...portanto, reflita em como você está utilizando o seu tempo...você tem feito ações proveitosas para o bem comum ou tem olhado só para o “seu tempo” e o “seu bem-estar”?

Há amigos que passaram muito rápido, há amores não realizados, há tristezas que nos paralisaram por meses, há eventos que vamos lembrar para sempre. Quantas coisas eram tão importantes na sua vida há anos atrás e hoje não fazem a menor diferença. Quantas dúvidas você tinha que hoje são totalmente banais.

Assim o curso da vida segue naturalmente dentro dos preceitos de Deus e nós limitados, humanos e audaciosos vamos tentando desvendar o mistério do tempo. Muitas vezes através de tropeços, mas caminhando em busca do Kairós do tempo vivido, sentido e compartilhado com os irmãos.

Conduzido por Virginia Castro

Grupo de Jovens Ágape

De volta ao primeiro amor

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Amigos são poemas e flores

Amigos são flores...

São flores plantadas ao longo do nosso caminho para que saibamos encontrar primavera o ano todo. Quando o outono chega, cheio de beleza e melancolia, os amigos estão presentes nos trazendo alegria. E, quando o inverno vem frio e escuro, trazendo saudades e noites longas, os amigos nos trazem calor e luz com o brilho da sua presença. Essas flores belas perfumam nossa existência e nos fazem ver que não estamos sozinhos.Se amigos são flores que duram um ano ou um dia não faz diferença, porque o importante são as marcas que deixam nas nossas vidas. São as horas compartilhadas, horas de carinho, horas de amor e cuidado.

Um amigo que se doa sem esperar um retorno, que se entrega pelo prazer de ver a felicidade do outro, é uma flor que merece cuidados especiais; um ser grande e importante que nos emociona só pelo fato de existir. É alguém que consegue chegar até nossa alma... É um presente de Deus. Se todo o mundo nos virar as costas e, no meio desse mundo, uma flor, nem que seja uma única flor de amizade nascer em nosso jardim, então toda a vida já terá valido a pena.

Amigos são poemas...

Os verdadeiros amigos são a poesia da vida. Eles enchem nossos dias de cores, rimas e risos, e nos seguram a mão quando caminhar parece difícil. Eles nos mostram que mesmo em dias nublados o sol está no mesmo lugar, e nos ensinam que a chuva pode ser uma canção de ninar nas noites solitárias e vazias.

Um amigo é alguém que nunca nos deixa só, mesmo quando não pode estar presente, pois sabemos que um pedacinho do seu coração está conosco. Um amigo é alguém que pensa na gente mesmo estando separado por mil mares... É alguém por quem a gente sabe que vale a pena viver... Um amigo nem sempre diz sim, quando dizemos sim, e não, quando dizemos não. Mas ele vai nos fazer entender com mais clareza aquilo que não conseguimos entender sozinhos. Um amigo é um bem precioso que não devemos deixar guardado numa caixinha de jóias, para usá-lo quando precisamos, mas tê-lo sempre presente junto a nós, mostrando ao mundo que riqueza mesmo é ter um verdadeiro amigo.

Amigos são flores... Amigos são poemas... Como flores, devem ser cultivadas com carinho e dedicação, para que as tempestades da vida não esfacelem suas pétalas e para que possamos ter seu perfume em todas as estações. Como poemas, devem ser sentidos nas fibras mais sutis da alma, com respeito e gratidão, para que sejam a melodia risonha a embalar nossas horas em todos os períodos do ano.

Neste clima de amizade comemoramos os 3 anos do Grupo Ágape...agora teremos um período de férias em janeiro, mas em fevereiro de 2011 retornaremos com força total para mais um ano de caminhada em Cristo Jesus...

"Preciso da sua amizade, da sinceridade e do seu carinho...você pode não parecer com o meu jeito de ser...mas você é muito especial!"

Virginia Castro

Grupo de Jovens Ágape

De volta ao primeiro amor

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

O homem pleno - o humanismo cristão

Existe, mesmo entre nós, cristãos, a idéia generalizada (e que pode ter sido aduzida deliberadamente ou por ignorância) de que a Igreja, em particular, e o Cristianismo apresentam uma história religiosa e doutrinária em que se realizou, por séculos, a idéia de contraposição entre o mundo espiritual e o mundo físico, entre fé e razão, entre a história e a eternidade, enfim, entre o divino e o humano. Grassa a impressão de que por muito tempo a subordinação do homem a Deus, e também da natureza e da vida à eternidade, significou a aniquilação do homem e da vida. No entanto, essa é uma idéia que de maneira alguma condiz com os princípios mais básicos e profundos do Cristianismo e do Catolicismo.

A religião cristã sempre, desde sua fundação por Nosso Senhor, teve como um de seus alicerces o princípio profundamente vivo e atuante, mesmo que de maneira esconsa e silenciosa na maior parte do tempo de toda a sua história, o princípio da dignidade excelsa, intocável, insubstituível e não venal do homem. O ser humano, em sua vida autônoma (embora não absoluta), nunca foi, na construção religiosa que se operou desde Cristo até os dias de hoje, encarado ou apreendido como um mero símbolo na cadeia dos princípios e das verdades religiosas e universais, ou apenas como instrumento de positivação da vontade divina (embora algumas vertentes do Cristianismo assim o sintam), ou apenas como ser criado no intuito extrínseco de viver apenas e exclusivamente para uma finalidade exterior. Embora esteja fundado justamente num aparente paradoxo que consiste em dizer que o valor maior do ser humano está além dele mesmo, o Cristianismo sente, justamente nesse chamado futuro e progressivo de um aperfeiçoamento constante das vocações intrínsecas do homem e da natureza, o valor pleno e supino do ser humano. O homem, pensa e sente o Cristianismo, o homem tem seu valor supremo no ideal de superar-se e desenvolver-se constantemente e de maneira plena, ou seja, em todas as suas facetas e naturezas.

O Cristianismo não é e nunca foi uma religião de verdades cristalizadas e acabadas. A Igreja aceita o princípio do desenvolvimento da verdade, que é o que sempre aconteceu na sua história. O Humanismo Cristão, iniciado pelo próprio Senhor, aos poucos foi acordando os cristãos e os homens para a verdade da dignidade grandiosa e bela do ser humano, que foi assumido irrevogavelmente pelo próprio Deus não apenas como criatura, mas como filho. Somos filhos de Deus no Amor que Ele nos oferece, no Espírito Santo de comunhão, que sempre e em todos os estágios de nossa vida e nossa história nos chama a sair de nós mesmos para amarmos cada vez mais perfeitamente o outro. Esse Amor não é apenas um sentimento pessoal ou mesmo um desejo de pautar nossa vida individual no bem, mas também um princípio comunitário e social de construção da vida conforme os valores humanos e evangélicos. Cristo nos mostrou, e seus santos nos ajudam cada vez mais a vermos essa verdade por Ele revelada, que o homem não foi criado senão para os mais excelsos e sublimes destinos, sendo o maior de todos eles a participação da vida beatífica de Deus. Mas essa vida não destrói nem nega a vida terrestre e temporal, mas, ao contrário, busca plenificá-la e levá-la à perfeição justamente pela graça que nos procura, nos busca e nos eleva à altura, à profundidade, à largura de Deus. O ser humano não nasceu para si mesmo, mas n’Ele encontra a força e a capacidade de construir-se plenamente ser humano.

Ney César

Grupo de Jovens Ágape

De volta ao primeiro amor


sábado, 18 de setembro de 2010

Pequenino grande homem - São Francisco de Assis

A vida de Francisco, desde o início e cada vez mais depois, com o decorrer do estudo histórico, religioso e teológico, adquiriu significados que ultrapassaram e muito o sentido literal das peripécias do poverello. Desde o começo já se pode perceber uma tensão, em sua vida, entre a humildade e a glória, a simplicidade e a complexidade, a literalidade e a profundidade. Quando o jovem Francisco quis ganhar a glória, Deus o quis humilde e pobre. Já quando ele quis reformar apenas a pequena Igreja de São Damião, Deus o quis reformando toda a Igreja Católica. Nesses dois exemplos emblemáticos, vemos que há um movimento duplo, um humano e um divino. O movimento humano, de Francisco, é um movimento pequeno e limitado. Seus sonhos, mesmo quando grandes e generosos, não chegam aos pés dos sonhos que Deus tinha para o pequenino santo, e, extensivamente, que Ele tem para todos os seus filhos. Mas os dois movimentos não são contraditórios. Francisco, na sua insistência em viver a Palavra e a vontade de Deus ao pé da letra, indicava que o papel humano é de ser simples e humilde diante de Deus, completamente aberto à sua ação. Deus é quem age na vida humana, Ele quem faz sua grandiosa e gloriosa obra.

Mas as mudanças que ocorriam já afetava a Igreja. A riqueza econômica aumentava, e a própria Igreja enriquecia muito na época. Havia então dois problemas que ela precisava resolver: por um lado, a antiga religiosidade centrada nos mosteiros rurais e nas orações dos monges já não respondia à exigência dos fiéis que passavam a viver nas cidades; por outro lado, a riqueza que a Igreja granjeava, ao invés de abrir-lhe novas possibilidades de ação humana, de evangelização e missão, estava dando-lhe, sim, um peso extra, pois ela agora se inchava com suas posses, tornava-se responsável pela administração de bens mundanos que atrapalhavam sua missão espiritual.

Francisco veio justamente responder a essas questões. Em primeiro lugar, na sua proposta radical de uma pobreza absoluta ele revigorou a Igreja com a visão de que seu papel no mundo não é gerir os bens do mundo, mas os bens espirituais do Céu. Como escrevi acima, o significado humano de sua vida vai além do que ele mesmo pretendeu. A Igreja percebeu, desde o início, com a reformulação da regra da Ordem dos Frades Menores (esse é o nome oficial da ordem), que a pobreza franciscana não devia ser tão material quanto de ordem espiritual. A riqueza que Deus dá aos homens, as posses e os poderes do mundo, não devem ser desprezados nem relegados, mas administrados na absoluta entrega da Igreja à missão que Deus lhe confia: evangelizar e transformar o mundo de acordo com os valores humanos e evangélicos. A Igreja deve sim ser pobre, mas no sentido de ser despojada de toda ambição para si mesma. Ela não pode desprezar as possibilidades de ação que o próprio Senhor dá a ela. A riqueza deve ser vista não como um fim, mas com um meio, um instrumento de ação no mundo.

Seu Cântico das Criaturas, nesse sentido, é uma novidade na Igreja, abrindo uma nova visão de humanidade e mundo. Somos todos criaturas de Deus, e a criação inteira é de um frescor, uma beleza e uma bondade que ela recebe todos os dias das mãos benignas e providentes de nosso Deus. Não foi à toa que Francisco foi escolhido, no final do século passado, como o homem mais extraordinário do II milênio. Foi ele que iniciou o movimento do Humanismo, que hoje temos que defender dessa onda de relativismo humano que grassa na nossa Pós-Modernidade. Nós não podemos perder a herança maravilhosa da espiritualidade humanística que nasceu com o Pobrezinho de Assis, um santo tão apaixonado, tão cândido, tão sentimental, tão humano que nos deixou mais visível a face humana de Deus.


Ney César

Grupo Ágape

De volta ao primeiro amor